14/08/2009

A Copa e a “Arena Atletiba”.

Note que todo esse blablablá de Copa recomeçou depois da entrevista de Malucelli dizendo que não ia onerar o Atlético e que para completar a Arena para a sua torcida e não para cumprir o maluco encargo da Fifa, abria mão de dinheiro público. Afirmou categoricamente que não endividaria o clube para cumprir determinações sem sentido para abrigar poucos jogos da Copa do Mundo. Deveria ser exaltado. Ninguém no Brasil tem direito de torrar a nossa grana para concluir estádios para Copa. Elefantes brancos que nunca mais serão utilizados para receberem durante dez dias jogos como Marrocos x Tunísia ou China x México. Imperdíveis. Um país de terceiro mundo tem que se colocar no seu lugar. Já tivemos o exemplo do Pan no Rio de como jogar dinheiro fora sem sentido. Alguém aqui imagina que todos os estádios da África do Sul cumprirão à risca as rigorosas regras da FIFA? Evidente que não. Nem os da Alemanha estavam em perfeitas condições. O nosso país tem bastantes estádios com boas condições que precisam de algumas reformas e podem, sim, sediar a Copa sem precisar construir arenas milionárias em todos os cantos.
Chegamos na entrevista de Petraglia quando fala sobre a Arena Atletiba. Preocupado com a escassez de dinheiro e também solidário com a ideia de não detonar o Erário com estádios que só servirão para ser demolidos um ano depois da Copa, a solução seria o Coritiba vender o Couto Pereira e usar o dinheiro para terminar a Baixada, deixando-a pronta para a Copa e para o futuro. E para os dois clubes. O mais incompreensível foi levar esta bobagem risível adiante. Uma aula de como acabar com história e tradição. Dois rivais históricos se desfazerem da casa de um para jogar na do outro. Isso de rivais terem a mesma casa funciona quando os estádios já são construídos com o intuito de servirem a mais de um time. Ou se Curitiba fizesse um outro estádio fantástico, do nada, para os seus três clubes. Aí, as vitórias, derrotas, as vidas deles seriam escritas desta maneira. Outra, bem diferente, é detonar um estádio com capacidade para 40 mil pessoas, com décadas de história para abrigar dois rivais na casa do outro que também tem décadas e é cheia de outros fatos para contar. Misturam-se os times. Assim, do dia para a noite. Sem chance. Veja o Vasco, citado pelo ex-presidente na entrevista, que não larga São Januário. A dificuldade que o Atlético e o Paraná tiveram quando foram se aventurar no Pinheirão. Ou o drama que é pro Botafogo convencer sua torcida que o seu lugar agora é no Engenhão. Estádios são de importância sem igual no mundo do futebol. A ideia da Arena Atletiba não passa de um deboche.