26/03/2010

Amor meu grande amor

Não sei se é verdade o que dizia Vinicius de Moraes, que o grande poeta, o escritor, o compositor só falam de amor quando estão com dor no coração. Afirmava o boêmio carioca que somente com o coração partido, doído, machucado é que dele se extraiam seus verdadeiros sentimentos e daí o artista pintava com lágrimas as mais belas palavras de amor. Pode ser verdade, pode ser que não...
O Atlético é um grande amor na vida de milhões de pessoas. Para alguns um amorzinho (ei Juba, sabe quanto deu o jogo?); para outros uma paixonite só (vamos na Baixada ver umas gatas?); enquanto para outros um amor como um estilo de vida (vou a todo jogo mesmo!). Mas confesso que para muita gente é uma religião, é o seu viver, é o princípio, é o meio, mas nunca o fim.
Ah! Se os jogadores soubessem o que passamos por causa desse Atlético! Quanto dinheiro juntado a ferro e fogo, quantas privações para poder comprar a nova camisa oficial! Quantas aulas assassinadas para entrar numa fila e por vezes não conseguir o ingresso para aquela final e ter que cair nas mãos dos cambistas que não freqüentam filas mas milagrosamente sempre tem entradas para revender!
Namoradas que nos deixam no caminho por se sentirem trocadas, mães neuróticas ao nos ouvirem cantando profanas músicas com xingamentos voltados pra todo lado, pais que se perguntam onde erraram ao ver onde gastamos a mesada, professores que nos julgam por verem nosso pensamento longe na sala de aula mas o caderno cheio de caveiras, campos de futebol, escalações hipotéticas ou seleções dos melhores atleticanos que vimos jogar. Quanta loucura!
Mas vale tudo pelo amor.
Ainda que este amor não seja lá muito correspondido por nos sentirmos um pouco traídos (em especial nos últimos anos), ainda que a gente resolva acabar com esse amor (não volto mais à Baixada, pode escrever ....ainda bem que nunca ninguém escreve) como se fosse possível racionalmente mandar nos sentimentos, continuamos amando e a menor piscada – um drible -, ao menor aceno – uma defesa -, ao mais delicado abraço – um chute-, ou ao mais intenso e caloroso beijo – o GOL -, não agüentamos e voltamos aos braços do nosso amor: o Clube Atlético Paranaense.
Quem verdadeiramente “nunca abandona” não precisa bradar isso e querer que se torne verdade absoluta pela imposição. Quem é fiel, quem ama de verdade está sempre junto, ao invés de jogar pedras, abraça o clube, ao invés de dar as costas, se associa em massa, ao invés de ir no aeroporto pressionar jogadores, leva seu apoio ao CT.
Porque somos assim, porque somos apaixonados, porque amamos essa entidade (para mim Sagrada) chamada CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE, que hoje faz mais um aniversário.
Atlético, você é o meu amor.
ARREMATE
“Agora, pois, permanecem a Fé/
a Esperança e o Amor.
Estes três.
Porém, o maior deles é o Amor.” . (1 Coríntios 13:13).